Macklemore voltou aos palcos na quinta-feira (22), no Red Rocks Amphitheatre, no Colorado, Estados Unidos, e aproveitou a apresentação para reiterar seu apoio à Palestina e criticar o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).
Foi o primeiro show do rapper desde sua retirada da turnê de Ed Sheeran, em setembro, após manifestações pró-Palestina durante apresentações em Nova Jersey.
Durante o espetáculo, Macklemore interrompeu o repertório para discursar sobre conflitos internacionais, direitos humanos e a atuação das autoridades migratórias norte-americanas. Segundo a revista NME, o músico foi aplaudido pelo público.
“Ser humano neste momento não é complicado. Não é político. É humano ter coração, ver outras pessoas sofrendo e dizer: ‘Chega!’. Por isso, digo: Palestina livre! Palestina livre!”, declarou.
O rapper também mencionou as populações do Sudão, Congo, Líbano e Haiti. Ao abordar a situação dos imigrantes nos Estados Unidos, criticou o ICE e manifestou solidariedade às pessoas que, segundo ele, têm medo de sair de casa em razão das operações da agência.
“A mensagem sempre será o amor”, concluiu.
Assista ao discurso de Macklemore no Colorado
A Al Jazeera divulgou imagens do pronunciamento durante o show de 22 de outubro.
O show reuniu 17 músicas, segundo o Setlist.fm. Entre elas estavam os sucessos “Thrift Shop”, “Same Love”, “Can’t Hold Us” e “Glorious”, além de “Hind’s Hall” e “Hind’s Hall 2”, lançadas em 2024 em apoio à causa palestina.
O repertório também incluiu a estreia ao vivo de “Where’s Love”, de acordo com os registros da plataforma.
Por que Macklemore foi retirado da turnê de Ed Sheeran?

A controvérsia começou nos dias 4 e 5 de setembro, quando Macklemore abriu duas apresentações da turnê “Loop” no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
Na ocasião, o rapper pediu uma Palestina livre, criticou as ações de Israel na Faixa de Gaza e apresentou “Hind’s Hall”, acompanhada de imagens da guerra. Ele também afirmou que suas críticas ao governo israelense não eram dirigidas à população judaica.
A manifestação provocou reações de organizações como o Israeli-American Council, que pediu sua exclusão da turnê. O empresário Robert Kraft, proprietário do Gillette Stadium, também se opôs à participação do músico em apresentações futuras. Kraft acusou o rapper de utilizar retórica e imagens antissemitas, avaliação contestada por Macklemore.
Em 14 de setembro, a promotora Messina Touring Group confirmou que ele não participaria dos shows restantes. A empresa alegou que proprietários de estádios haviam ameaçado cancelar apresentações caso Macklemore permanecesse na programação.
Sheeran declarou posteriormente que a decisão foi tomada pela produtora, e não por ele. O cantor afirmou ter tentado negociar uma solução com os envolvidos e disse respeitar o direito de Macklemore de defender suas convicções, embora considere que seus próprios shows não devam funcionar como fóruns políticos.
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A retirada provocou novas desistências. Finneas, Lukas Graham, Aaron Rowe e a banda irlandesa Beoga, que acompanhava Sheeran no palco, anunciaram que deixariam suas participações na turnê em solidariedade ao rapper.
Macklemore também anunciou que destinaria US$ 1 milhão, valor correspondente aos seus ganhos líquidos com a turnê de Sheeran, a seis organizações humanitárias que prestam assistência aos palestinos.
Após ser convidado pelo rapper a contribuir, Kraft declarou que Sheeran havia solicitado a ele um compromisso de US$ 2 milhões para ajuda humanitária na região. O empresário não especificou, naquele comunicado, as instituições que receberiam os recursos.
‘Free Palestine Tour’ terá três shows beneficentes na Europa
Depois da saída da “Loop Tour”, Macklemore anunciou a “Free Palestine Tour”, série de apresentações com arrecadação destinada a organizações de assistência humanitária e apoio aos palestinos.
Os três primeiros shows anunciados estão marcados para o fim de outubro:
- 26/10/2026 — Dublin, Irlanda — 3Arena
- 29/10/2026 — Paris, França — Accor Arena
- 30/10/2026 — Londres, Inglaterra — OVO Arena Wembley
Segundo o rapper, os ingressos para as três apresentações esgotaram logo após o anúncio. O projeto foi apresentado sob o nome “Macklemore and Friends”, com a proposta de reunir outros músicos em apoio à iniciativa.
Entre as 12 organizações beneficiárias anunciadas estão Gaza Soup Kitchen, Medical Aid for Palestinians, Palestine Children’s Relief Fund, Anera e UNRWA USA.
“Organizamos esses shows rapidamente e de forma coletiva, acreditando que os músicos podem se solidarizar com a Palestina, usar o palco para arrecadar recursos e mostrar como pode ser uma ação conjunta”, escreveu Macklemore ao comemorar a procura por ingressos.
O artista também defendeu a música como instrumento de mobilização. “Quando aqueles que estão no poder tentam silenciar nossos apelos por libertação, a arte sempre será uma forma de resistência”, declarou.
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O discurso no Colorado ocorreu dois dias antes de Ed Sheeran retomar a etapa norte-americana da “Loop Tour” com um show programado para este sábado (24), no AT&T Stadium, em Arlington, no Texas.
Ouça ‘Hind’s Hall’, música de protesto de Macklemore
Lançada em maio de 2024, “Hind’s Hall” foi inspirada nos protestos pró-Palestina realizados em universidades norte-americanas. O título faz referência ao edifício da Universidade Columbia ocupado por manifestantes e renomeado em homenagem a Hind Rajab, menina palestina morta em Gaza.
Relembre ‘Same Love’
O posicionamento público de Macklemore em defesa de direitos civis antecede a guerra em Gaza. Em 2012, o rapper e Ryan Lewis lançaram “Same Love”, com participação de Mary Lambert, em apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
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