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Criolo e os 15 anos de ‘Nó na Orelha’: o disco que expandiu os limites do rap BR

Criolo se destacou no horizonte da música popular brasileira como uma bem-vinda novidade com “Nó na Orelha” (2011). Para celebrar os 15 anos do disco, que se transformou em uma espécie de clássico instantâneo desde seu lançamento, o rapper paulista está em turnê pelo Brasil e se apresenta no AFROPUNK Brasil, em Salvador, no próximo […]

Criolo se destacou no horizonte da música popular brasileira como uma bem-vinda novidade com “Nó na Orelha” (2011). Para celebrar os 15 anos do disco, que se transformou em uma espécie de clássico instantâneo desde seu lançamento, o rapper paulista está em turnê pelo Brasil e se apresenta no AFROPUNK Brasil, em Salvador, no próximo domingo (8).

O legado de “Nó na Orelha” para o hip-hop nacional é imenso. Ao expandir fronteiras estéticas com arrojo e criatividade, o trabalho abriu caminhos para gerações que seguiram. Desde a projeção de Sabotage, morto em 2003, poucos nomes do rap brasileiro haviam demonstrado tamanho potencial para ultrapassar os limites do gênero e conquistar reconhecimento de crítica e público.

Kleber Cavalcante Gomes, também conhecido nas rodas de rima como Criolo Doido, havia refinado seu trabalho desde a estreia com “Ainda Há Tempo” (2006). As ideias avançadas e a inventividade nas rimas continuavam as mesmas. O que mudou no segundo álbum foram a sonoridade e a produção: além do hip-hop, “Nó na Orelha” incorporou samba, bolero, afrobeat, reggae e uma série de outras influências.

A produção de ‘Nó na Orelha’ e a cena musical de São Paulo

Criolo no The Town 2025 (@observadordaimagem)
Criolo no The Town 2025 (@observadordaimagem)

Um dos responsáveis pelo som de “Rap É Compromisso”, de Sabotage, o multi-instrumentista Daniel Ganjaman assina a produção do álbum de Criolo ao lado do baixista Marcelo Cabral, expoente da cena independente de São Paulo. Eles reuniram músicos que também se destacariam em projetos como Passo Torto e Metá Metá.

Kiko Dinucci, Juçara Marçal, Rodrigo Campos e Thiago França contribuíram diretamente para o universo sonoro de “Nó na Orelha”. Dinucci divide com Criolo a composição de “Mariô”; Campos participa com cavaquinho e percussão; Juçara aparece nos vocais de apoio; e França acrescenta seu saxofone em diversas faixas. Essas contribuições deram ao álbum uma textura particular, que refletia a vida na capital paulista do novo milênio.

Não por acaso, “Não Existe Amor em SP” se tornou a canção mais emblemática do projeto. Ao lamentar a frieza e o desamparo da vida na metrópole, seu refrão melancólico ganhou corações e mentes. A frase ultrapassou o universo musical, estampou camisetas e adquiriu o status de ditado popular contemporâneo.

O sucesso também foi reconhecido nas premiações. Em 2011, Criolo venceu três categorias do VMB, da MTV Brasil: Melhor Disco, Melhor Música, por “Não Existe Amor em SP”, e Revelação. “Nó na Orelha” ainda foi eleito o melhor álbum nacional daquele ano pela revista Rolling Stone Brasil.

O rap de ‘Grajauex’, ‘Sucrilhos’ e ‘Subirusdoistiozin’

Para os fãs de rap nacional, como eu, o álbum foi um deleite, mesmo com suas incursões por outros ritmos. “Grajauex” está entre as melhores faixas do gênero lançadas na década de 2010. Combina uma sonoridade arrojada com a métrica perfeitamente imperfeita de Criolo, que rima o som do “click-clack” da pistola com a imagem das duas lajes que viram “triplex”.

A faixa faz do Grajaú, bairro da zona sul paulistana onde o rapper cresceu, um universo particular. Marcas de luxo, consumo, violência, precariedade e humor aparecem condensados em versos que exploram rimas pouco convencionais terminadas em “x”: T-Rex, Jontex, Rolex, Nike Air Max…

“Sucrilhos”, “Bogotá” e “Subirusdoistiozin” também são pontos altos do trabalho. Com sua capacidade de síntese fora do comum, Criolo acerta uma pedrada a cada dois ou três versos.

O que dizer da perspicácia ácida de “Sucrilhos”, quando ironiza a relação entre intelectuais, consumo e periferia no trecho “Cientista social, Casas Bahia e tragédia: gosta de favelado mais que Nutella”?

São versos que combinam crítica social, referências culturais e observações do cotidiano sem perder a agilidade do rap. A escrita de Criolo transita entre a denúncia, o deboche e a crônica urbana, muitas vezes dentro de uma mesma composição.

Da turnê original aos shows de 15 anos

Com sua energia intensa, Criolo fez dos palcos uma grande panela de pressão ao longo da turnê original de “Nó na Orelha”. Cada show parecia uma celebração coletiva, com público e artistas em comunhão, letras cantadas a plenos pulmões e camisetas encharcadas de suor pelo salão.

O alcance daquele repertório foi além dos palcos brasileiros. Até o início de 2013, o rapper já havia realizado mais de cem apresentações pelo país, além de shows na Europa e nos Estados Unidos.

Quinze anos depois, Criolo volta a esse repertório com a direção artística de Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral. A nova turnê começou no Coala Festival, em São Paulo, no dia 13 de setembro de 2026, e recupera os arranjos originais das dez composições do disco.

“É uma turnê de agradecimento, genuinamente, a todos”, declarou o rapper ao anunciar as apresentações.

A proposta é reunir novamente parte dos músicos que construíram o álbum e revisitar uma obra que continua encontrando público.

Agenda de Criolo: turnê ‘Nó na Orelha – 15 anos’

  • 8 de novembro de 2026: Salvador (BA) — AFROPUNK Brasil, Parque de Exposições. Informações e ingressos.
  • 13 de dezembro de 2026: Belém (PA) — Festival Psica. Ingressos.
  • 3 de abril de 2027: Rio de Janeiro (RJ) — Fundição Progresso. Ingressos.
  • 10 de abril de 2027: Belo Horizonte (MG) — Arena Hall.
  • 23 de abril de 2027: Curitiba (PR) — Cine Lido.
  • 24 de abril de 2027: Porto Alegre (RS) — Auditório Araújo Vianna.
  • 8 de maio de 2027: São Paulo (SP) — Suhai Music Hall.

Os ingressos para Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e São Paulo estão disponíveis na Ticketmaster Brasil. Novas datas poderão ser anunciadas.

+ Leia mais: Criolo celebra 15 anos de ‘Nó na Orelha’ em turnê pelo Brasil.

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