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Filipe Ret revisita o xarpi e apresenta filosofia de vida em ‘Retianismo’

Antes de ser conhecido nacionalmente como Ret, um certo Filipe Cavaleiro de Macedo da Silva Faria já escrevia o apelido nos muros do Rio. Começou a pichar na infância e não parou mais. O primeiro reconhecimento não veio pela música, mas sim quando um desconhecido perguntou se ele era o tal Ret das paredes cariocas. A […]

Antes de ser conhecido nacionalmente como Ret, um certo Filipe Cavaleiro de Macedo da Silva Faria já escrevia o apelido nos muros do Rio. Começou a pichar na infância e não parou mais. O primeiro reconhecimento não veio pela música, mas sim quando um desconhecido perguntou se ele era o tal Ret das paredes cariocas.

A experiência de pertencimento é a coluna mestra de  “Retianismo”, exposição e show neste sábado (7), na Farmasi Arena, no Rio. À Billboard Brasil, o rapper explica sua filosofia de vida que desaguou no evento, além de reconstruir a passagem dos desenhos de infância ao xarpi* carioca, à escrita e à música.

 

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Dos desenhos ao xarpi: como nasceu Ret

Cadernos, fotografias e objetos pessoais serão apresentados como etapas de sua formação. O artista desenhava desde criança e passou a observar as marcas nos muros. “A pichação foi uma evolução natural dos meus desenhos”, afirma.

“Comecei a pichar cedo, com 11 anos. Segurava a lata com as duas mãos, não conseguia nem segurar direito. Era uma intuição de que aquilo me traria alguma coisa. E me trouxe uma identidade.” Para o artista, a assinatura nos muros lhe deu uma forma de existir publicamente antes da carreira musical.

Criado no Catete, ele frequentava a Praia do Flamengo e a Lapa. Recorda a adolescência juntando trocados para comprar cerveja com amigos e tentando entrar gratuitamente nas casas noturnas. Ouvia funk de baile, proibidões e  enxergava o cartão postal por outro ângulo.

“Era muito forte o localismo no Rio de Janeiro. Sempre esteve entranhado na cultura de rua carioca, tá ligado?”, diz.

O blog que antecedeu as letras

A terceira etapa foi a escrita. Durante uma crise pessoal, quando tomava medicamentos que, segundo ele, afetavam sua criatividade, criou o blog “Máximas Retianas” para organizar os pensamentos.

“Existia uma confusão mental muito grande. Eu precisava organizar minhas ideias mesmo, colocar em palavras. Não pensei exatamente que isso ia me salvar, eu só fiz”, recorda.

O nome Ret, construído nas ruas, funcionava como um ponto de apoio:

“Ret foi um chão muito importante pra eu desenvolver, em cima desse alter ego, minhas ideias e ir me curando”.

Desenho, pichação e lírica seriam três dimensões reunidas na quarta: a música. Desde criança, diz enxergar cores e texturas ao ouvir sons.

“Meus desenhos mais errados, as pichações imperfeitas, a atitude e a autoafirmação da pichação estão presentes na minha música. E a lírica de sobrevivência também está presente nas minhas letras.”

A exposição relaciona sua criação aos elementos água, terra, fogo e ar. A continuidade entre vivência e composição atravessa a trilogia “Imaterial” (2021), “Lume” (2022) e “Nume” (2024).

Filipe Ret
Filipe Ret (Gilbs/Rock in Rio/Divulgação)

O que haverá na exposição ‘Retianismo’

A exposição abre às 18h, quatro horas antes do show. O percurso terá três salas: objetos pessoais e arquivo na primeira; projeções e recursos audiovisuais na segunda; loja e informações sobre projetos futuros na terceira.

A curadoria é de Ademar Britto, com projeto expográfico do Estúdio Chão, produção da Megadiverso e instalação da ParaRaio. Ret pretende apresentar ainda a ideia de um instituto na Rua Pedro Américo, no Catete. Por enquanto, trata-se de um plano.

O rapper retorna à arena onde gravou “FRXV” em 2023. A proposta inclui uma pergunta aos fãs: “Qual é o seu ismo?”. Cada visitante será convidado a reconhecer experiências que formaram sua própria identidade.

Filipe Ret no Rio: Serviço

  • Evento: “Retianismo” — show e exposição.
  • Data: sábado, 7 de novembro de 2026.
  • Local: Farmasi Arena, Avenida Embaixador Abelardo Bueno, 3401, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
  • Horários: abertura às 18h; show às 22h.
  • Classificação: 16 anos.
  • Ingressos:Ticket360. Há modalidade solidária mediante entrega de 1 kg de alimento não perecível, exceto sal e fubá.

*O termo “xarpi” vem da inversão das sílabas de “pichar” na gualín do TTK, linguagem surgida no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, que troca a ordem das sílabas das palavras e se difundiu na cultura de rua carioca.

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